O Independência estava completamente enlouquecido para o jogo que marcava a reestreia do Atlético-MG na Taça Libertadores após 12 anos. E não era qualquer reestreia. Havia o clima de um jogo diferente, com proporções maiores, dignas de uma competição que altera a pressão sanguínea dos fanáticos torcedores. De um lado, mais do que um simples jogador que corre pelo campo, mais do que um simples meia que serve a bola ao centroavante. Ali, estava um jogador com Q.I (Quociente de Inteligência) maior do que os outros, capacidade anormal em um simples ser humano. Ali, estava Ronaldinho Gaucho. Aquele mesmo que saiu em baixa do Flamengo e que há exata uma semana havia perdido um pênalti num amistoso da seleção brasileira contra a Inglaterra. Contudo, se alguém pensava que as artimanhas do craque tinham acabado, e não satisfeito com um chute de falta por baixo da barreira ou mesmo uma jogada genial, se enganou redondamente. Ainda havia uma jogada diferente que iria decidir o resultado da partida.
Do outro lado, mais do que um simples goleiro que defende seu patrimônio, mais do que o maior goleiro-artilheiro da história do futebol mundial, ali estava toda a experiência de Rogério Ceni e sua respeitável liderança. Porém não bastou isso ao capitão tricolor que num lance de distração, não teve tempo para arrumar sua defesa.
No arremesso lateral, Ronaldinho se encaminha para Rogério Ceni como se fosse um simples cliente do seu bar e pede um "coquetel". O goleiro como um mordomo estende a mão e esquece por um instante que se trata de um jogo de Libertadores, onde não cabe uma desatenção sequer. Durante esta cena de história de quadrinho, Rogério foi engolido por uma disfarçada traição de Judas. Utilizando o "jeitinho brasileiro", o craque famoso por jogadas de artimanha, inclusive quando jogava na Europa, confundiu toda defesa são paulina, que quando acordou, enxergou a pelota lá dentro.
Pode não ter sido um golaço que nem o de Pelé contra a Juventus da Rua Javari nem um voleio plástico de Zinedine Zidane, mas foi uma jogada em que o raciocínio de um gênio fez a diferença.
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