Por Jorge Kanazawa
Enquanto os motores da Fórmula 1 ainda estão relativamente longe de começarem a roncar em 2012, as equipes continuam a definir seus pilotos para a nova temporada. Nesta terça, mais uma equipe fechou suas vagas: a Williams F1 Team. Sir Frank Williams deu preferência a um nome certamente familiar à equipe, Bruno Senna.
Bruno: quase 18 anos depois, relembrando seu tio Ayrton (Foto: Site Oficial Williams F1 Team)
Senna dividirá a Williams com o venezuelano Pastor Maldonado, desbancando assim o compatriota Rubens Barrichello na briga por uma vaga na categoria. Para não ficar pela primeira vez em 19 anos sem vaga no grid de largada, o recordista de GPs disputados na Fórmula 1 terá de acertar com a equipe que é candidata a ser (novamente) a pior da temporada em 2012, a Hispania Racing Team, ou HRT. Barrichello já se manisfetou via Twitter, desejando sorte a Bruno Senna e declarando que "o futuro está em aberto".
Claro que ver novamente o carro azul e branco e o capacete que marcou história na Fórmula 1 juntos novamente e ouvir o nome Senna associado à esses dois últimos certamente trará muitas lembranças e uma certa dor no coração. Afinal, é impossível não lembrar que aquele que talvez seja um dos maiores ídolos nacionais brasileiros encontrou seu fim nessa mesma equipe. Mas o tempo passou, as coisas mudam, e o cenário da parceria Senna-Williams está bem diferente de 18 anos atrás.
A equipe de Sir Frank Williams não tem mais o carro mais potente da F1. De fato, em 2012 as expectativas da Williams são de brigar com as equipes medianas mais frequentemente. Incomodar Toro Rosso, Force India e até mesmo a Mercedes não tem sido cenário constante para a Williams, que é vista mais frequentemente junto à Sauber na briga entre as equipes intermediárias e as mais fracas, como HRT, Virgin e Lotus.
Bruno Senna também não demonstra a genialidade que tinha seu tio há 18 anos. Pelo menos não ainda: Senna ainda tem muito potencial para crescer e melhorar seu desempenho, especialmente na Fórmula 1 de hoje em que o carro é parte essencial para o sucesso do piloto, muito mais que na época de Ayrton. Se fizer um bom trabalho na Williams, quem sabe possa chamar a atenção das equipes mais fortes como Mercedes, Ferrari, McLaren e RBR. Ver Senna pilotando novamente uma McLaren certamente será uma viagem no tempo para muitos fãs de longa data da F1, mesmo que o carro esteja bem diferente do de 1991, quando Ayrton foi tricampeão.

Barrichello: último adeus? (Foto: EFE)
Já Barrichello está em uma situação delicada. Por mais desesperado que possa estar, não acho que seja uma boa assinar com a HRT. A escuderia espanhola é muito fraca, e não acho digno para um piloto do gabarito de Rubens Barrichello (326 provas disputadas, 209 provas na zona de pontuação, sendo que 68 entre os três primeiros colocados e 658 pontos conquistados) terminar de forma tão melancólica, com um carro que para os padrões da F1 de hoje, praticamente se arrasta na pista.
Mas se Rubinho resolver continuar na categoria, que ele tenha boa sorte. Que Bruno Senna tenha boa sorte em 2012, para que possa honrar a memória do tricampeão de Fórmula 1 e seguir os passos do tio rumo a um título em alguma hora no futuro.
E que ronquem os motores.

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